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segunda-feira, 20 de julho de 2009

adoro a sombra dos postes
companhia solitária - fora o poste
nas esperas da vida.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Flap-slap; flap-slap; flap-slap.

Enchi a sola dos chinelos de tachinhas
De forma que meus passos pudessem rir,
Com brilho
Como eu rio pro calor do sol
E a minha tristeza de lua.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Nem conhecia esse, mas estva atribuído a Mário Quintana, coisas já sabidas, eu acho, mas vale a pena ler... :)


Felicidade Realista

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Em certos aspectos,
me considero uma pessoa extremamente ética
Eu não rio da desgraça alheia.
Ha Ha!
As minhas desgraças
já me apresentam suficientes motivos de diversão.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

As sombras
que se projetam no teto do quarto
pela luz da vela no chão
parecem as combinações de nuvens,
em suas formas tão atribuídas de significados

Como o rinoceronte careca que agora vejo,
-não que os outros rinocerontes sejam cabeludos,
mas esse é especialmente careca.
O rinoceronte careca e sua mochila,
como que indo pra qualquer escola espacial

O castelo, agora, que se ergue
na minha lateral esquerda
e todo o seu labirinto interior

As formas ecoam na minha mente
estática,
sozinha de ti.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pra tentar suprir a falta do verso escrito a carvão na parede do
quarto:


EU

A exaltação universal
trago-a,
quente e vermelha,
em cada gota de meu sangue.
No meu cérebro
passam, numa rapidez inquietante
de navalhas, ferindo,
os pensamentos,
que nem todos podem pensar.
A ressurreição
da claridade delirante de todos os dias de sol
corre em algemas gritantes
pelos meus gestos expressivos.
Meus nervos,
- cobras vibrantes - enroscam-se
pela árvore branca e sonora
de meu corpo jovem
e deixam restos de sensações fortes
na selva emocional
de minha alma!
Eu tenho uma sensibilidade de punhal!
E nos meus poemas
dança, em alegorias bizarras
e movimentos novos,
toda a instintiva
e incontida
volúpia universal!

(Violeta Branca)

Pra quem não sabe, a primeira mulher a entrar em uma academia de letras no Brasil e, provavelmente, a primeira mulher a publicar na literatura amazonense.